Wellcome

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Oi!!! Quem Quer Dinheiro????


"Preciso do pão de cada dia/e não sou filho do padeiro/então preciso do DINHEIRO"

Gabriel O Pensador, em "pão de cada dia"



"A mola que move o mundo"; "a raíz de todos os males"; "dinheiro não traz felicidade". Esses são alguns termos usados para se referir ao dinheiro, mas, me diga: Quem é que ouve o famoso grito do Silvio Santos aí e responde "não"? Quem é que não quer faturar a mega-sena acumulada? O fato é que todos nós dependemos dele. É claro, uns mais outros menos. Existem aquelas pessoas que são consumistas ao extremo, e compram até o que não precisam, se enchendo de supérfluos. Existem os gananciosos que, quanto mais têm, mais querem(aqui se incluem muitos políticos). Mas, mesmo aquelas pessoas que não são apegadas às coisas materiais, em muitas situações da vida dependem do dinheiro.

Na música "money for nothing" (dinheiro pra nada), da banda inglesa Dire Straits, tem um personagem que trabalha em uma loja de eletrônicos, e que inveja o carinha que toca guitarra na MTV e é cheio da grana, tem seu próprio jatinho e etc., enquanto ele tem que carregar geladeiras, televisões e fornos de microondas. Então, ele pensa em também aprender tocar guitarra ou bateria pra, quem sabe, um dia se dar bem. Aliás, foi o Ultraje a Rigor quem cantou: "mim quer tocar/mim gosta ganhar dinheiro" (apesar de que o Roger também cantou que, se não fosse por mulher ele não seria roqueiro), e outras bandas como Against Me e Supergrass também cantaram que "só estamos nisso pelo dinheiro". Mas, tem uma molecada que acha que no rock o que vale é a atitude e não o din-din(principalmente os punks e os metaleiros). Foram estes que tacharam de "mercenário" e "traidor do movimento" o roqueiro João Gordo, da banda Ratos de Porão, quando o mesmo foi trabalhar na MTV e virou popstar, inclusive fazendo comerciais na TV. Na época, João declarou que, ideologias à parte, ele agora tinha filho para criar. A mesma coisa aconteceu com a banda Metállica, que, quando lançou o famoso "Black Álbum", foi acusado por alguns fãs mais radicais de ter feito um disco "comercial" para poder ganhar o mercado. Os Titãs também sofreram a mesma acusação, quando lançaram o disco acústico, ganharam muito dinheiro e lançaram o "acústico 2" para aproveitar o embalo. Ora, que mal há em vender mais um pouquinho?

Na canção "dignidade", do Barão Vermelho, Frejat canta: "dinheiro pra mim não tem valor/quando o assunto é amor". Ele seguia a mesma linha de pensamento de Tim Maia, que cantou: "quando a gente ama/não pensa em dinheiro/só se quer amar...". Os Beatles já pensavam o contrário, pois na música money(that's what I want) Jonh Lennon cantava:"seu amor me deu um rumo/mas, seu amor não paga minhas contas/então, me dê grana." Tudo bem que a música é uma versão(de Bradford e Gordy), mas soou contraditório quando em "can't buy me love", essa de autoria de Lennon e McCartney, eles cantavam: "eu não ligo muito pra dinheiro/dinheiro não pode comprar o meu amor".

Mas, tem gente que está desesperada, e como o pessoal do Camisa de Vênus, vive gritando: "Deus, me dê grana!". E quando a miséria é extrema(miséria é miséria em qualquer canto, já cantavam os Titãs), o grito nem é por dinheiro, e sim por comida. Mas pra se ter comida, é preciso ter dinheiro. Na música do Gabriel O Pensador que foi citada na introdução tem um verso que diz aquela famosa frase:"melhor do que dar um peixe à um homem, é ensiná-lo a pescar", aí um dos personagens da música replica: "então me ensina onde eu pesco grana/porque peixe só tem se comprar". Há que se louvar a atitude dos popstars quando eles resolvem liberar seu lado "Madre Teresa", e realizam gravações e shows em prol de causas humanitárias. Quem não lembra da gravação de "we are the world", na qual, liderados por Michael Jackson e Lionel Ritchie, uma verdadeira constelação da música pop americana cantou em benefício dos pobres da África? E teve também o festival de Bangladesh, liderado por George Harrisson, em benefício dos pobres da Índia; e os famosos, e mais recentes, "Live Aid" liderados por Bob Geldoff. O bom é que eles cantam, todo mundo se diverte, e a renda ajuda um monte de gente.

O dinheiro em si, não é herói nem vilão. Heróis, são os que fazem bom uso dele. Vilões, são os que só o usam em benefício próprio. O fato é que, se associado à palavras como: "ganância", "ambição", "avareza", o dinheiro é o maldito da história. Mas, se associado à termos como: "solidariedade", "altruísmo"e "amor ao próximo", O dinheiro poderá ser bendito, como um mecanismo para ajudar muitas pessoas e até salvar vidas. É só usá-lo com consciência.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Febre Amarela


"mais amarelo que arroz de forno

Voltei pra casa em plena dor de corno

Quebrei o vídeo da televisão"

Aldir Blanc em "bandalhismo"


O amarelo é a cor do momento. Afinal de contas, as olimpíadas vão ser realizadas na China, e os amarelos asiáticos estão a fim de fazer bonito. O que não está nada bonito é a Saúde Pública no Brasil: como se não bastasse os surtos de dengue, o país está sob a ameaça de uma epidemia de febre amarela. As nossas autoridades não estão nem aí. Todo mundo sabe que o negócio deles são as "verdinhas" e eles nem querem saber de amarelo. O amarelo de nossa bandeira, representa "as nossas riquezas, o nosso ouro". Nosso? deles lá... os nossos políticos já "surrupiaram" quase tudo, e o amarelo de nossa bandeira já deve estar desbotado.

Quem gosta de amarelo é a banda Cold Play, que no CD "parachutes" lançou uma canção com esse título. Ninguém entendeu o sentido da letra, mas eles amarelaram tudo. eles diziam:"olhe as estrelas/olhe como elas brilham pra você/ e elas são amarelas..." e "eu escreví uma canção pra você/e ela se chama "amarelo..."". Outra célebre canção "amarela" é "goodbye yellow brick road" de Elton Jonh, aliás, uma das mais bonitas de seu repertório, ainda lá no início de sua longa carreira. Na canção, ele dava "adeus a estrada de tijolos amarelos/onde os cães da sociedade úivam" e "finalmente decidia que seu futuro estava além da estrada de tijolos amarelos".

E quem não se lembra de "yellow submarine", a velha canção dos Beatles? nela, Lennon, MacCartney e cia. diziam que todos nós vivemos em um "submarino amarelo". E há alguns anos atrás, houve um projeto beneficente aqui no Brasil, capitaneado por João Barone, dos Paralamas, chamado "submarino verde e amarelo". Foram shows que viraram CD e DVD, e que traziam artistas de diferentes estilos, como: Lobão, Zé Ramalho, João Bosco e Jota Quest, todos eles cantando músicas dos Beatles.

Podemos citar também "yellow river", canção do obscuro cantor Christie, mas que fez muito sucesso por aqui, inclusive com uma versão impagável da banda João Penca, na qual eles cantavam: "e ela é horrível, e ela é horrível/espalha o medo por onde vai...". Nada a ver com a letra original, que dizia: "Yellow River, Yellow River, está em minha mente.../amanhã à noite você vai me encontrar/dormindo sob a luz da lua em Yellow River."

Caetano Veloso tem uma música chamada "trem das cores", mas nela, que surpresa! verde, rosa, laranja e um monte de azul... e nada de amarelo. Caetano tem também uma música chamada "rai das cores". Lá também tem branco, preto, azul... e nada de amarelo. Definitivamente o nosso Caetano não é chegado a um amarelinho. Djavan, por sua vez, na canção que tem por título "azul", faz menção ao amarelo: "até o sol nascer AMARELINHO/queimando assim cedinho, cedinho/core e vai dizer pro meu benzinho...o amor é azulzinho."

Poderia citar ainda "sítio do pica-pau amarelo" do Gil; "Azul e amarelo" de Cazuza; "o homem amarelo" do Rappa, mas a canção brasileira que amarela tudo é mesmo "faixa amarela" do Zeca Pagodinho. "vou comprar uma faixa amarela/bordada com o nome dela/e vou mandar pendurar/na entrada da favela." Mandou bem, Zeca! Os chineses agradecem... juntamente com outros amarelos e amarelas famosas como: A camisa da seleção brasileira de futebol, as pilhas Ray-O-Vac, as Páginas Amarelas, Os Simpsons, a gema do ovo, a fanta laranja... ou a cor da fanta seria "laranja"?


P.S. Os versos do Aldir Blanc, lá da introdução, são de uma paródia que o Aldir fez de um soneto de Augusto dos Anjos, chamado "vandalismo"... aqui vai o tal soneto na íntegra:


Bandalhismo
Meu coração tem butiquins imundos,

antros de ronda, vite-e-um, purrinha,

onde trêmulas mãos de vagabundos

batucam samba-enredo na caixinha.


Perdigoto, cascata, tosse, escarro,

um choro soluçante que não pára,

piada suja, bofetão na cara

e essa vontade de soltar um barro...


Como os pobres otários da Central,

já vomitei sem lenço e sonrisal

p.f. de rabada com agrião...


Mais amarelo que arroz de forno,

voltei pro lar, e em plena dor-de-corno

quebrei o vídeo da televisão.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

1001 Sugestões de Nomes Para Bebês



Existem duas perguntas que os integrantes de bandas de rock detestam nas famosas entrevistas coletivas; uma delas é: “quais são as influências de vocês?”, e a outra é sobre o porquê do nome da banda. Eles acham que essas perguntas já estão batidas e representam falta de criatividade por parte do entrevistador.
Certa vez perguntaram ao Herbert Viana o porquê do nome Paralamas do Sucesso e ele respondeu: “nós íamos colocar Beatles, mas depois descobrimos que já tinha uma banda com esse nome”. Obviamente ele estava sendo irônico, e uma outra vez, fizeram a mesma pergunta ao Roland Orzabal do Tears for Fears e ele respondeu simplesmente: “por que não?”.
Os Beatles, que no início se chamavam Quarrymen, tiveram seu nome sugerido por um místico, que disse para o Jonh Lennon que o nome teria de ser grafado dessa forma e não “beetle” que é como se escreve besouro em inglês, senão, segundo ele, a banda não faria sucesso... será? O que fez o sucesso foi o nome ou a magia da música?
Os Rolling Stones, por sua vez, tiraram esse nome de uma música do bluesman Muddy Waters chamada... um, dois, três......: “rolling stone”. E tem também as bandas cujo nome são siglas, como o R.E.M, o P.I.L e o P.U.S, e as bandas que tem número no nome como o Level 42, o Front 242, o 808 State, o L7 e a Patrulha666; e as bandas com nome de avião que são o U2(avião de espionagem americano que invadiu espaço aéreo soviético em plena guerra fria), e o B52’s (bombardeiro americano presente na guerra do golfo) e teve também uma banda de rock progressivo chamada Jefferson Airplane (aeroplano de Jefferson) que depois evoluiu e passou a se chamar Jefferson Starship (astronave de Jefferson). E por falar em avião, quando Jimmy Page saiu do Yardbirds e fundou sua nova banda, batizou-a de New Yardbirds; Keith Moon, baterista do The Who, ironizou e disse: “essa banda vai decolar tanto quanto um zeppelin de chumbo” . Jimmy Page então não se fez de rogado e mudou o nome da banda para Led Zeppelin (zepelim de chumbo).
A verdade é que tem alguns nomes de banda que aguçam a nossa curiosidade e dá vontade de fazer então aquela detestável pergunta: por que o nome Pearl Jam (geléia de pérolas)? por que Midnigth Oil (óleo da meia-noite)?. E nesse quesito nomes estranhos, se destacam algumas bandas obscuras do rock progressivo nacional como: Maria Angélica Não Mora Mais Aqui e Recordando o Vale Das Maçãs.
Quando eu era moleque, como é próprio em todos os garotos-que-como-eu-amavam-os-Beatles-e-os-Rolling Stones, meu sonho era Ter uma banda de rock. Mas, meu sonho era meio excêntrico, e o nome da banda tinha que ser daqueles em que o nome do cantor vem na frente do nome da banda, tipo: Bill Halley and his Comets, Neil Young and the Crazy Horse, Tom Petty and the Heartbrakers, Nick Cave and the Bad Seeds, Lobão e os Ronaldos, Nando Reis e os Infernais e etc. e como diz o final da letra de “Johnny B good”, talvez algum dia, meu nome em um letreiro luminoso anunciando: ESTA NOITE: TADEU E OS POETAS ESQUIZOFRÊNICOS ou TADEU E A ORDEM DOS TEMPLÁRIOS ... ia ser demais!!!

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Vida Apos a Morte


"a maior expressão da angustia/ pode ser a depressão, algo que você pressente./ indefinível... mas não tente se matar,/ pelo menos nessa noite não."

Lobão

Muitos foram os casos de suicídio(ou tentativas de) no meio musical, principalmente no meio roqueiro, o ritmo mais suicida de que se tem notícia(Teve ate uma banda chamada Suicidal Tendences). Começando por Jim Morrisson, vocalista do the Doors, até chegarmos ao Kurt Cobain, do Nirvana, que se matou com um tiro na cabeça, a lista é longa: teve o Ian Curtis, vocalista do Joy Division, grupo que deu origem ao New Order, e que foi uma das maiores influências de Renato Russo. Até a voz grave, e o jeito de cantar eram parecidos, e ao que parece, o jeitão deprê também, já que Renato certa vez também tentou suicídio cortando os pulsos, isso no início da carreira lá em Brasília, ficando inclusive, um bom tempo sem tocar contrabaixo, que era o instrumento que ele tocava no início. Teve também o Michael Hutchance, vocalista da banda INXS, que se enforcou, o que foi até uma surpresa, já que a banda não fazia o estilo depressivo, pelo contrário, suas músicas eram até alegrinhas. O mesmo pode se dizer da nossa Rita Lee, que, ao que parece, é sempre alto astral, mas também já tentou suicídio. Arnaldo Baptista, seu ex-companheiro de Mutantes, também tentou se matar certa vez, atirando-se pela janela de um andar superior do hospital, o que lhe deixou seqüelas até hoje.

Algumas bandas de estilo melancólico como o The Cure e o The Smiths, já foram acusadas de incitar seus fãs ao suicídio, por causa do conteúdo sombrio de algumas de suas letras. Quanto a isso, Morrissey, o vocalista dos Smiths, declarou: "respeito o suicídio como o ato mais forte que uma pessoa pode realizar, e as pessoas não são realmente fortes. Mas se uma pessoa leva uma vida alegre e produtiva, ela nunca vai pensar em se matar. A maioria, infelizmente, leva uma vida vazia e sem esperança." E aí? O suicídio é um ato de coragem, como disse o Morrisey, ou é um ato de covardia? Os Engenheiros do Havaí, em uma canção do disco "várias variáveis" cantaram que "todo suicida acredita na vida após a morte" será? Ou será que eles se matam justamente por pensarem que a morte é o fim de tudo? Bem, se alguém está querendo inspiração para se matar, canções é que não faltam para ajudar. Aqui vão alguns trechos de canções suicidas:

"vou secar o meu pranto/ vou querer me matar"

"travessia" de Milton Nascimento
"viro um farrapo, tento suicídio/ com caco de telha e caco de vidro"

"farrapo humano" de Luiz Melodia
"ela se jogou da janela do quinto andar,/nada fácil de entender"

"pais e filhos" da Legião Urbana
"você diz, "já vou" e eu concordo contigo,/cê sai de perto, eu penso em suicídio"

"eu queria Ter uma bomba" do Barão Vermelho
"tédio, esse é o meu drama./o que corrói é o tédio,/um dia eu fico sério e me atiro desse prédio." "tédio" do Biquíni Cavadão
Mas, pra que matar-se? Cazuza mesmo cantou que "viver é bom" em "solidão, que nada!". Só que, como disse o Roberto, e depois os Titãs confirmaram: "é preciso saber viver". Procure pelo menos olhar o bom das coisas como diz uma das últimas (e boas) letras da Pitty: "tenta achar que não é assim tão mal/ exercita a paciência/ guarda os pulsos pro final/ saída de emergência."

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Se Eu Quiser Falar Com Deus


Quando Kurt Cobain morreu, foi para o céu (todos os roqueiros vão para o céu). Chegando lá ele encontrou os outros que haviam partido antes dele: lá estavam Elvis, Jonh Lennon, Jimmy Hendrix, Janis Joplin, Freddie Mercury e num canto, se olhando atentamente em um espelho, o Bono Vox. Aí o Kurt Cobain disse: “espera aí! O Bono ainda não morreu!” então o Jonh Lennon chegou no ouvido dele e disse: “aquele ali nâo é Bono Vox. Aquele é Deus. Ele só pensa que é o Bono Vox.” ........... RÁ, RÁ, RÁ, RÁ!
Piadas infames à parte, o que teriam a dizer os protagonistas de um ritmo tão maldito como o rock and roll sobre o todo poderoso? O próprio Jonh Lennon da piada escreveu uma canção intitulada “God”, cuja letra era uma espécie de credo apostólico às avessas e na qual Jonh relacionava uma série de coisas nas quais ele não acreditava (em Cristo, no Papa e etc.) ao que Bono Vox respondeu com outra canção intitulada “God part II” em que rebatia as “descrenças” de Mr. Lennon.

Mas Deus é “brasileiro”, e sendo assim os roqueiros brazucas são quem tem mais autonomia para falar sobre o tema. Os mesmos já se referiram a Deus de forma contestadora como Cazuza na música “cobaias de Deus”, ou Lobão na música “pobre Deus”; de forma debochada como o Camisa de Vênus: “Deus me dê grana”; de forma anárquica como os Titãs em “homem primata”: “eu aprendi/a vida é um jogo/cada um por si/ e Deus contra todos”. Raul Seixas, místico como era, sempre se referia à Deus ou ao demo em suas letras e Renato Russo, como não poderia deixar de ser, escreveu um verso ao mesmo tempo genial e contraditório na música “depois do começo”: “Deus...Deus/somos todos ateus” , ora, se você se dirige diretamente à Deus não pode ser ateu e se você é ateu não pode se dirigir à Deus de forma direta, mas tudo bem...gênio é gênio.

O Kid Abelha fez uma canção na década de 80 na qual pedia: “Deus, apareça na televisão” E NÃO É QUE ELE APARECEU!!! Calma que eu explico: é que nos anos 70, um inglês anônimo ao ouvir Eric Clapton não teve dúvidas e saiu pichando nos muros do reino unido: “ERIC CLAPTON É DEUS” e como você já sabe o homem, aliás, Deus teve sua imagem super exposta na MTV na década de 90, por conta do clip de “tears in Heaven”.

Bem... no mais, como eu disse no começo, dentro da piada, todos os roqueiros vão pro céu, pois todos eles são loucos (uns mais, outros menos) e está escrito que os loucos não errarão o caminho. E nós que os ouvimos, somos poucos,Mas também somos muito loucos. E no final, ainda tem os Mutantes na célebre “balada do louco”, na qual o maluco mais-que-beleza Arnaldo Baptista diz: “eu juro que é melhor/não ser um normal/se eu posso pensar que Deus... sou eu”. E quem vai dizer que ele não é?

Que Deus te abençoe.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

...E o Vento Levou


“A resposta, meu amigo, está soprando no vento.”

Bob Dylan em “blowin in the wind”


A canção cujo trecho foi citado na introdução, é considerada a mãe de todas as canções de protesto. Sua letra é toda construída com perguntas tipo: “por quantas estradas um homem tem que andar, antes que possa ser chamado homem?” ; “por quantas vezes as balas de canhão devem voar, até que sejam banidas para sempre?”; “quantos ouvidos o homem deve Ter para que consiga ouvir as pessoas chorando?” e “quantas mortes serão necessárias para que o homem saiba que já se matou demais?”. E a resposta , Mr. Dylan deixou a cargo da consciência de cada um. Aliás, a banda Los Hermanos em seu último álbum, nos deu uma belíssima canção com o título “o vento”, e nela também existe uma expectativa de resposta eólica: “o vento vai dizer lento que virá....”. mas que reposta o vento nos trará?

A banda alemã Scorpions, fez muito sucesso com a música "winds of change" (vento de mudanças) por ocasião da Perestróika, a abertura política iniciada por Mikhail Gorbachev nos anos noventa. "atentem para os ventos de mudanças" dizia a canção, mas, o que ele dizia na verdade? que mudanças ele traria?

Na canção “eternas ondas” de Zé Ramalho, e que foi eternizada por Fagner, tem um lindo verso que diz: “se esse seu amigo vento não lhe procurar/ é porque multidões ele foi arrastar.” E enquanto o nosso amigo vento arrasta multidões, também inspira canções como “vento no litoral” da Legião Urbana, na qual Renato Russo canta: “de tarde quero descansar/ chegar até a praia e ver/ se o vento ainda está forte/ e vai ser bom subir nas pedras/ sei que faço isso pra esquecer/ eu deixo a onda me acertar/ e o vento vai levando tudo embora...” . É uma canção bem melancólica, bem dor-de-cotovelo, mas muito bonita, como quase todas da Legião. Mas, e a resposta?


Uma das mais belas canções sobre o vento, é de um grupo que sempre foi execrado pela crítica especializada, o Biquíni Cavadão. A canção “vento ventania” tem versos lindos como: “quero juntar-me a você/ e carregar os balões pro mar/ quero enrolar as pipas nos fios...” e “quero mover as pás dos moinhos/ e abrandar o calor do sol/ quero emaranhar os cabelos da menina/ mandar meus beijos pelo ar...” só pra citar alguns, já que a letra toda é uma bela poesia. Mas... e a resposta?

Bem, eu acho que a resposta já nos foi dada, e por uma banda que também foi muito criticada, e cuja única canção de sucesso é justamente essa, a da resposta. O nome da banda é Kansas, e a resposta foi uma paulada no nosso orgulho através da canção “dust in the wind”: “poeira no vento... tudo o que somos é poeira no vento” . Doeu, não?

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Splish Splash!


“Você tem exatamente/três mil horas pra parar de me beijar”
Cazuza em “por que que a gente é assim”

Beijar é muito bom! Não é à toa que o Cazuza queria ficar três mil horas beijando, o que sem dúvida seria o recorde mundial e entraria para o Guiness Book. E foi ele mesmo quem cantou em “todo amor que houver nessa vida: “Eu quero a sorte de um amor tranqüilo,/com sabor de fruta mordida,/nós na batida, no embalo da rede,/matando a sede na saliva...” e haja saliva! E a sede nunca é saciada, pois quanto mais se beija, mais vontade se tem de beijar. Mas, Cazuza também tinha os seus momentos de solidão e lábios secos, como cantou nos versos da canção “o tempo não pára”: “... cansado de correr na direção contrária/sem pódios de chegada ou beijos de namorada,/ eu sou mais um cara...”.
“Aquele beijo que eu te dei/ nunca, nunca mais esquecerei...” cantou o rei Roberto Carlos, mas não se sabe se esse tal beijo inesquecível foi o mesmo da canção “splish splash”, na qual ele “rouba” um beijo dentro de um cinema. Aliás, dentro de cinemas não são comuns esses beijos “onomatopéicos”, sendo preferidos os beijos mais silenciosos e “calientes”. Mas na canção do rei, o mesmo “splish splash” reflete o tapa que ele levou após o beijo roubado, o que talvez tenha também contribuído para que o beijo fosse inesquecível.
Mas, o beijo é retratado de outras formas em várias canções: Rita Lee cantou o beijo sombrio em “doce vampiro”:
“venha me beijar,/ meu doce vampiro,/na luz do luar...” beijo de vampiro remete a um beijo selvagem, misturado com mordida, o que nos faz voltar a canção do Cazuza lá da introdução que tem um verso que diz assim: “canibais de nós mesmos/ antes que a terra nos coma...” fazendo imaginar os amantes devorando a língua um do outro. Alceu Valença cantou o beijo tropical em “morena tropicana”: “... beijo travoso de umbu, cajá./ pele macia, ai carne de caju/ saliva doce, doce mel, mel de uruçu...”. Elvis Presley pediu: “kiss me quick”, “beije-me rápido, enquanto ainda temos esse sentimento.”, enquanto o Red Hot Chilli Peppers cantou o beijo lascivo em “suck my kiss”(chupe meu beijo). E na música “kiss” o baixinho Prince cantou: “você não precisa ser rica pra ser minha garota/ você não precisa ser boa pra governar meu mundo//... eu quero apenas seu tempo extra e seu... beijo”.

No Brasil teve até uma banda de Axé chamada Banda Beijo, e lá nos “States” tem o famoso grupo de rock mascarado, o KISS, sendo que para alguns religiosos, esse “KISS” não tem nada de “beijo”, mas seria uma sigla para Knights In Satan Service, ou “cavaleiros à serviço de satanás”.
E pra finalizar, uma canção do Barão Vermelho, da fase pós Cazuza, que retrata o beijo depois que a paixão acaba. A música se chama “beijos de arame farpado” e, pelo menos o título foi copiado de uma canção da banda inglesa Jesus and Mary Chain (barbed wire kisses). Mas a letra é muito legal, e diz assim:
“naqueles dias, todo dia eu renascia
na pele dos teus lábios.
E trazia comigo uma oração,
Porque naqueles dias
Eu te amava demais.
Eram dias de pura luz
Refletida nos metais,
E pelos nossos beijos,
Caravelas de línguas passeavam
Em delírios fluviais.
Amor à luz de velas,
Mensagens na garrafa perdida,
Vindas na saliva de outros carnavais.
Mas hoje em dia, meu amor,
Nossos beijos têm sabor enferrujado,
E nos machucam a boca
Feito arame farpado...”